No Vinted, a plataforma de segunda mão, os utilizadores andam à procura, de forma muito direta, de peças originais e de artigos retro da década de 70. O que durante anos parecia ter o cheiro de uma caixa de feira da ladra está, de repente, a ser muito disputado: calças de boca de sino, candeeiros cogumelo, bolas de discoteca e discos de vinil estão a viver um regresso que até surpreende quem trabalha no setor.
Porque é que os anos 70 voltam agora a surgir em todo o lado
Os anos 70 são vistos como uma década de viragem. Depois dos protestos estudantis, mudam a moral, a política e o quotidiano. Cultura pop, movimentos de contestação e as primeiras discussões ambientais misturam-se tudo num novo modo de viver.
É precisamente esse ambiente que está presente em muitos objetos de uso diário dessa época. A moda torna-se mais solta, mais colorida e mais livre. Os móveis passam a poder ser redondos, vistosos e quase lúdicos. Os designers afastam-se das linhas rígidas e experimentam o que é possível fazer com novos materiais e novas formas.
No Vinted, as pesquisas por peças dos anos 70 aumentam de forma acentuada ao longo de um ano - o boom retro é mensurável, não é apenas uma sensação.
Muitos utilizadores não procuram apenas “qualquer coisa vintage”; vão mesmo atrás de termos concretos, como “seventies”, “calças de boca de sino” ou determinados formatos de candeeiros. Por isso, a tendência é mais do que uma moda passageira: os anos 70 servem como espaço de projeção para a liberdade, para o carácter e para um certo escapismo face ao dia a dia hiperconectado.
Calças de boca de sino dos anos 70: o clássico rebelde
No topo da lista das peças retro mais desejadas está um velho conhecido: as calças de boca de sino, com a perna bem aberta. No Vinted, as pesquisas por este artigo subiram mais de 2000 por cento, um valor que mostra claramente o regresso da “seventies silhouette”.
Naquela altura, ícones como David Bowie ou Jimi Hendrix usavam este corte em palco. Também os movimentos de protesto recorriam às calças de boca de sino para se distanciarem de forma visível do código de fato e saia da geração dos pais.
Os estudiosos da moda sublinham que, aqui, a forma é mais do que uma questão de estilo: a perna larga representa um modo de viver que não aceita ser apertado - nem fisicamente, nem mentalmente. Quem hoje compra umas calças de boca de sino está, muitas vezes sem o saber, a ir buscar precisamente esse símbolo de irreverência e individualidade.
Como as calças de boca de sino dos anos 70 entram hoje no dia a dia
É curioso ver como a geração mais nova volta a combinar este clássico. Em vez de looks hippie completos, as calças de boca de sino aparecem muitas vezes assim:
- com uma T-shirt branca simples e sapatilhas
- com blusão de cabedal para um estilo rock
- com camisola justa de gola alta para um toque retro quase adequado ao escritório
- em bombazine ou em ganga colorida, para reforçar o fator nostalgia
Deste modo, uma peça que antes tinha uma carga política transforma-se numa ferramenta de moda versátil, capaz de se adaptar a vários contextos do quotidiano.
Retro para a sala: estes objetos dos anos 70 estão em alta
O boom não se fica pela roupa. Também quem procura decoração e mobiliário mergulha no Vinted à caça de peças da era da discoteca e da Space Age. Há três objetos que se destacam em particular.
| Objeto | Aumento das pesquisas | O que o torna tipicamente dos anos 70 |
|---|---|---|
| Discos de vinil | +301 % | Som, capas, sensação de coleção |
| Candeeiros cogumelo | +191 % | Formas redondas, estética Space Age |
| Bolas de discoteca | +116 % | Jogo de luz, ambiente de clube |
Vinil: muito mais do que um suporte musical
Os discos evocam a era dourada do rock, do funk e da disco music. Nomes como Donna Summer ou ABBA representam um som que continua, até hoje, a salvar qualquer festa. Ao mesmo tempo, muitas capas funcionam como pequenas obras de arte que podem muito bem ser penduradas na parede.
Para muitos utilizadores mais jovens, crescidos com streaming, o vinil transmite quase uma sensação de luxo: a pessoa demora o seu tempo, pousa o disco de forma deliberada e ouve um álbum inteiro, em vez de apenas um excerto de uma playlist.
Candeeiro cogumelo: uma peça de design com ar de ficção científica
O candeeiro cogumelo, com o seu abajur redondo e a base ondulada, parece saído de um filme de ficção científica. Nos anos 70, refletia a crença na tecnologia, na exploração espacial e num futuro avançado - basta pensar na chegada à Lua e nas missões espaciais.
Hoje, encaixa de forma surpreendentemente natural em casas minimalistas. Muitas vezes, uma única peça retro basta para dar calor e personalidade a uma divisão demasiado sóbria.
Bola de discoteca: o clássico de festa em formato mini
A bola de discoteca simboliza, como poucos objetos, a cultura de clubes dessa época. Espelho, luz e brilho - um objeto simples que cria logo ambiente.
No Vinted, não aparecem apenas exemplares grandes para caves de festa; as versões pequenas são as mais procuradas para quartos, escritórios em casa ou cozinhas de casas partilhadas. Com uma simples luz LED, cria-se num instante uma atmosfera de bar dentro da própria casa.
Mala com franjas: herança boho para usar a tiracolo
Outro artigo cuja procura aumentou de forma clara é a mala com franjas. As pesquisas subiram cerca de 20 por cento. Esta peça remete para a influência folk e hippie dos anos 70, marcada por festivais, road trips e pelo desejo de uma vida diferente e mais livre.
Ao mesmo tempo, nessa década multiplicam-se os movimentos pelos direitos civis, os protestos contra a Guerra do Vietname e novas formas de arte. A roupa serve muitas vezes como mensagem política: quem usa franjas, padrões étnicos e materiais naturais está a assumir uma posição contra o sistema estabelecido.
As calças de boca de sino e a mala com franjas continuam, até hoje, entre os sinais mais visíveis de um estilo boho ou inspirado no hippie - e é precisamente isso que, neste momento, vende especialmente bem no Vinted.
Hoje, muitos compradores combinam esta mala com básicos simples: ganga, camisa oversized, botas. Assim, o visual deixa de parecer disfarce e passa a soar a estilo quotidiano descontraído com um toque retro.
Porque é que, neste momento, existe tanta vontade de vintage
A atração pelos anos 70 não surpreende quando se compara essa década com o presente. Vivemos numa época em que quase tudo é digital, substituível e acessível a qualquer momento. Séries, música, moda - basta deslizar o dedo.
As peças usadas dos anos 70 oferecem o contrário: parecem mais singulares, muitas vezes mais resistentes, com marcas de uso visíveis e, por isso, com história. Muitos compradores dizem que estes objetos lhes parecem “mais reais” do que artigos novos produzidos em massa.
A isto junta-se uma motivação ecológica. Quem compra em segunda mão poupa recursos e evita nova produção. Comprar um candeeiro cogumelo antigo ou umas calças de boca de sino bem conservadas torna-se, assim, uma mistura de afirmação de estilo e decisão consciente de consumo.
Como encontrar verdadeiros destaques no Vinted
Quem ficou com vontade de apostar em vintage dos anos 70 deve ter atenção a alguns pontos:
- Verificar o material: algodão, lã, metal e vidro costumam durar mais do que plásticos baratos.
- Observar bem o estado: ampliar fotografias e perguntar por riscos, rasgões ou ferrugem.
- Medir as dimensões: os tamanhos antigos costumam ser bastante diferentes dos atuais.
- Variar as palavras-chave: além de “70er”, experimentar termos como “retro”, “boho”, “Space Age” ou “calças de boca de sino”.
Quem se prepara desta forma encontra mais facilmente tesouros do que desilusões - e mantém as peças por mais tempo.
O que o boom dos anos 70 revela sobre o presente
O sucesso dos objetos dos anos 70 no Vinted mostra o quanto muitas pessoas procuram identidade no seu quotidiano. Um candeeiro vistoso, um disco antigo ou umas calças marcantes não substituem um movimento político, mas deixam uma mensagem clara: “não quero parecer-me com toda a gente”.
Há ainda o gosto pelas histórias. Uma cadeira nova comprada numa loja de mobiliário raramente tem algo para contar. Já uma poltrona usada, com design dos anos 70, levanta perguntas: quem se sentou nela antes? Em que casa esteve? Que festas viu?
É precisamente este potencial narrativo que torna estes objetos tão apelativos. Não são apenas coisas, são pontos de conversa - entre amigos, nas redes sociais, na cabeça de quem os compra. E, por isso, encaixam na perfeição numa época em que tudo deve ser visível e partilhável, mas ainda assim com aparência de individualidade.
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